Um dos universos visuais que mais me fascinam é sem dúvida o steampunk. Considerado um subgênero da ficção científica na literatura, frequentemente combina ambientações, tecnologias e objetos do passado com elementos de épocas mais avançadas, criando uma espécie de contraste encantador. Na descrição da Wikipédia, “trata-se de obras ambientadas no passado, ou num universo semelhante a uma época anterior da história humana, no qual os paradigmas tecnológicos modernos ocorreram mais cedo do que na História real, mas foram obtidos por meio da ciência já disponível naquela época – como, por exemplo, computadores de madeira e aviões movidos a vapor”.
Outra forma de entender o universo steampunk é analisando a expressão e fazendo uma comparação com o universo cyberpunk. A palavra steam (vapor, em inglês) faz geralmente referência à Era do Vapor, ou à Era Vitoriana (1837-1901), onde engrenagens e locomotivas a vapor são algumas das tecnologias vigentes. A cultura cyberpunk (indo além do gênero literário) abraça toda a cultura e comportamento que nasceram após o advento da informática. Já a cultura steampunk (também indo além da literatura) poderia ser entendida então como uma cultura inspirada em uma espécie de Era do Vapor paralela, ou a Era do Vapor elevada ao máximo, ao absurdo.
É importante observar que o conceito do steampunk carrega em muitos casos um quê de impossível, de perturbador, de fantástico, o que fascina muita gente. Em algumas situações, o steampunk passa a ideia de algo superavançado, mas que utiliza simplesmente tecnologias da Era do Vapor (onde vemos, por exemplo, um complexo sistema de engrenagens e força vapor para mover uma nave espacial). Em outros casos, é observado um contraste entre a aparência retrô e uma suposta tecnologia digital ou avançada, resultando em algo fantástico, beirando o absurdo. Podemos observar isso no episódio “Uma História de Detetive”, da série Animatrix, onde o personagem principal, um detetive, participa de um chat em um dispositivo que seria um misto de computador com máquina de escrever. A cena conflitante faz o espectador não entender que época é aquela. Caso do filme “Brazil” (trailer no fim do post), de Terry Gilliam (mesmo diretor de “Os 12 Macacos”), que combina muitas referências de tempos distintos. Ou seja, você está vendo coisas de uma época, e, de repente, se depara com elementos de uma época futura.
Ok… Chegamos na moda. A estética do steampunk já vem há um bom tempo influenciando e sendo explorada por diversos segmentos, entre eles o techie e o fashion (não só em termos de vestimentas, como também de joias e demais acessórios). A Fantasy Magazine montou um Top 10 de dispositivos steampunk, que inclui um laptop de madeira com aparência clássica, e o site Gizmodo possui uma lista de posts sobre o assunto. No caso da moda, é comum a combinação de vestimentas retrô, inspiradas na Era Vitoriana, com elementos visuais de hoje em dia, como piercings, tatuagens, correntes, tinturas capilares de cores chamativas e peças de roupas contemporâneas (jeans, padronagens de bolinhas etc.), criando um, digamos, visual punk bem antigo, podendo também beirar o terror, o andrógino e o gótico. Alguns looks steampunk podem ser vistos aqui. O Flickr possui um grupo que reúne fotos de pessoas com trajes steampunk.

Para quem gosta de estética e ambientações, tenham em mente que entre os elementos que mais se destacam no universo visual e conceitual do steampunk estão madeira, metal, força vapor, engrenagens, eletricidade, pressurizadores e mecânica. Por fim, para mais informações, vale visitar o site Steampunk-Pics.
TRAILER DO FILME BRAZIL
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